CARTA ACF

Nº 8 - Outubro – Novembro - Dezembro de 1997

 

O ESQUECIMENTO DE SIGNORELLI

 João Peneda

 

Condensado da apresentação do ensaio de Freud de 1898 Sobre o mecanismo psíquico do esquecimento*

no CEP da ULHT

 

Introdução

Faz agora em 1998 cem anos que Freud esqueceu o nome do célebre pintor italiano Luca Signorelli. Este lapso de memória ocorreu no início de Setembro de 1898, quando Freud viajava de carroagem acompanhado de um desconhecido (Freyhau, advogado berlinense) de Ragusa (Dubrovnick), na Dalmácia, para Cattaro (Kotor), na Bósnia-Herzegovina. A 22 de Setembro, depois de regressar a Viena, Freud escreve a Fliess, e comunica-lhe o lapso de memória: "não conseguia descobrir o nome do célebre pintor que fez o Juízo Final em Orvieto, o maior que já vi até hoje". Na carta de 27 de Setembro, Freud conta que transformou "Signorelli num pequeno ensaio" e que o enviou ao editor Ziehen & Wernicke. Este texto transformar-se-á no primeiro ensaio "sobre o mecanismo psíquico do esquecimento (falta de memória) <zum psychischen Mechanismus der Vergesslichkeit>". O ensaio pré-psicanalítico de 1898, que estará na origem do 1º capítulo da Psicopatologia (1901), dá-nos indicações precisas não só sobre a natureza dos fenómenos que constituem o objecto da invenção freudiana (neste caso o lapso de memória), como também, e muito em especial, faculta-nos uma imagem do mecanismo psíquico e das suas causas. O texto de 1898 representa portanto um valoroso testemunho das intuições originárias que vieram a dar origem à psicanálise (objecto e método), assim como nos deixa algumas pistas para o enigma daquele que a inventou.

O fenómeno do lapso de memória.

O tema do texto de Freud de 1898 é o fenómeno da falha de memória <Phänomen von Vergesslichkeit> relativamente aos nomes próprios <nomina propria>. Na Psicopatologia (1901), Freud diz que "tentou então a análise psicológica de um caso vulgar de esquecimento temporário de nomes próprios". O método utilizado é designado por Freud de "análise psíquica": "pude averiguar, por intermédio da análise psíquica <psychische Analyse>, o processo <Hergang> que teve lugar".

O exemplo estudado no ensaio de 1898 foi extraído da vida quotidiana, mas tem, segundo Freud, um alcance superior aquele que habitualmente lhe é atribuído, ao ponto de Freud chegar a afirmar que esse exemplo constitui um modelo dos processos patológicos. Na Psicopatologia, diz que "um psicólogo a quem se pedisse para explicar a razão porque, em tantas ocasiões, deixa de nos ocorrer um nome próprio que pensamos conhecer perfeitamente, se contentaria em responder que os nomes próprios sucumbem mais facilmente ao processo do esquecimento do que qualquer outro conteúdo da memória".

A 26 de Agosto de 1898, no primeiro relato do esquecimento de um nome próprio (Julius Mosen), Freud afirma ter conseguido provar que "(1) tinha recalcado o nome Mosen por causa de certas ligações; (2) que o material infantil desempenhou um certo papel nesse recalcamento; (3) que os nomes substitutos empurrados para o primeiro plano foram formados, tal como os sintomas, a partir desses dois grupos de material". Em contrapartida, na carta a Fliess de 22 de Setembro de 1898, no caso do esquecimento do nome Signorelli, Freud mostra-se convencido que o seu exemplo "prova que tinha sido um recalcamento, e não um esquecimento genuíno." A ambição de Freud é "tornar isso crível aos olhos de outrem".

Para facilitar a exposição do ensaio, dividirei o texto do seguinte modo:

I- Descrição do fenómeno da falha de memória.

II- Esclarecimento do fenómeno da falha de memória.

II.1. Causas do fenómeno da falha de memória.

II.2. Mecanismo, processo, vias do fenómeno da falha de memória.

I- Descrição do fenómeno da falha de memória.

Freud começa por referir que a disfunção em causa — falha de memória — afecta de preferência o uso dos nomes próprios <nomina propria>; trata-se, portanto, em linguagem neurológica, da afasia nominal. Para exemplificar a ocorrência deste fenómeno, Freud relata-nos a circunstância mais comum: "no meio de uma conversa sentímo-nos forçados a confessar ao nosso parceiro que não conseguimos encontrar um nome que queríamos então utilizar". Por outro lado, os aspectos característicos que acompanham o lapso de memória são os seguintes:

i) Em primeiro lugar, os esforços para recuperar o nome em falta são acompanhados de uma "excitação manifestamente irritante e penosa <unverkennbare ärgerliche Erregung>, parecida com a da afasia motora". Freud sublinha que "até à descoberta do nome procurado, e mesmo depois do desvio intencional, sentimos uma preocupação tal que o interesse pelo sucedido, de facto, não esclarece". O que significa que o facto pontual do simples lapso de memória não parece justificar a intensidade do incómodo que acompanha esse fenómeno. O desprazer sentido transcende em muito a diminuta importância do fenómeno em causa.

ii) Por outro lado, Freud diz-nos que a atenção <Aufmerksamkeit>, isto é, o esforço voluntário e enérgico <die energische willkürliche Anspannung> da atenção mostra-se incapaz de recuperar o nome esquecido por muito que persista esse esforço.

iii) No lugar do nome procurado surge prontamente um outro nome em substituição; no entanto, reconhece-se este último como não correcto, sendo portanto rejeitado, ainda que possa retornar com insistência <beständig wiederkehrt>; o que também não parece justificável.

iv) Em alternativa, sucede igualmente que "encontramos na nossa memória <man findet in seinem Gedächtnis>" uma letra ou uma sílaba que se tem a impressão de fazer parte do nome que tenazmente nos escapa.

v) Convencemo-nos, na maioria dos casos erradamente, que o nome alternativo contém uma sílaba ou uma letra do nome procurado.

Estes são, em traços gerais, os sintomas que acompanham o fenómeno da falha de memória. Para contornar o embaraço provocado pelo esquecimento de um nome próprio, Freud assinala que o melhor procedimento <das beste Verfahren> "consiste em não pensar nele <nicht an ihn zu denken>", isto é, desviar a nossa atenção do nome em falta; desse modo, "pouco depois, o nome procurado irrompe na nossa mente e não podemos deixar de o exclamar".

Na Psicopatologia, Freud afirma que o deslocamento que se produz do nome em falta para os nomes substitutos não é fruto do acaso, diz ele que: "não se deve à arbitrariedade psíquica, mas segue vias previsíveis que obedecem a leis." Desse modo, Freud faz jus à sua divisa expressa nessa obra de 1901: "o que para os outros pode parecer desordem é para mim, uma ordem com uma história." Freud suspeita portanto que "o nome ou os nomes substitutos estão em ligação directa com o nome perdido", e espera conseguir "demonstrar essa conexão, lançar luz sobre a origem do esquecimento de nomes."

O esquecimento do nome Signorelli por Freud.

Para ilustrar o fenómeno do lapso de memória, passo a citar o relato que faz o próprio Freud das circunstância que rodearam o esquecimento do nome de Signorelli que figura como modelo emblemático na história da psicanálise: "Durante as férias de Verão resolvi uma vez viajar de carro da bela Ragusa [hoje Dubrovnik] até uma cidade vizinha na Herzegovina [Cattaro]; a conversa com o meu companheiro de viajem recaiu, tal como podemos imaginar, sobre a situação de ambas as regiões (Bósnia e Herzegovina) e sobre o carácter dos seus habitantes. Aludi a diferentes particularidades dos turcos que aí viviam, tal como escutara há anos de um colega que vivera longo tempo entre eles como médico. Pouco depois a nossa conversa mudou de assunto: a Itália e a pintura; e tive a ocasião de recomendar com insistência ao meu companheiro que fosse um dia a Orvieto ver os frescos do Fim do mundo e do Juízo Final com que um grande pintor adornou uma capela na catedral. Porém, o nome do pintor escapava-me e não me era recuperável. […] O meu companheiro de viajem não me podia ajudar; os meus esforços persistentes não tiveram outro resultado senão o de deixar emergir dois outros nomes, os quais, todavia, sabia que não podiam ser os verdadeiros: Botticelli e, em segundo lugar, Boltraffio".

Freud verificou ainda que nem o mais pequeno pormenor do dia vivido em Orvieto estava apagado ou impreciso <nicht das Mindeste davon verlöscht oder undeutlich>; contudo, o nome do pintor escapava-lhe de um modo persistente <hartnäckig>.

Por outro lado, Freud sublinha ainda o facto de, paralelamente ao esquecimento da palavra Signorelli, se ter produzido um reavivar de todas as imagens relacionadas com a visita à capela de Orvieto (Saint-Brice) e, com particular nitidez <besonders scharf>, o auto-retrato do pintor. Deste modo, a relação entre a imagem e a palavra parece ser inversamente proporcional. Quando um dos factores está em falta, o outro surge com maior intensidade. Quando finalmente Freud recupera o nome Signorelli, a lembrança muito intensa do auto-retrato do pintor desvanece-se, como se as imagens escondessem as palavras.

Descrito sumariamente o exemplo do fenómeno da falha de memória e algumas das suas particularidades, passaremos ao seu esclarecimento, no que diz respeito às causas, assim como ao mecanismo <Mechanismus> seguido, isto é, o processo <Hergang> que teve lugar.

II- Esclarecimento do fenómeno da falha de memória.

A explicação psicológica da afasia nominal no exemplo citado divide-se, segundo Freud, em duas questões:

II.1. Que influências <Einflüsse> conduziram ao esquecimento do nome Signorelli que era tão familiar a Freud e que se fixa tão bem na memória?

II.2. Quais as vias <Wege> que conduziram à sua substituição <Ersetzung> pelos nomes Botticelli e Boltraffio?

II.1 As influências <Einflüsse> que conduziram ao esquecimento do nome Signorelli.

Antes de mais, o esquecimento do nome Signorelli não é um fenómeno de esquecimento corrente, isto é, perda gradual da capacidade de relembrar, recordar ou reproduzir o que foi previamente apreendido. Uma vez que o nome Signorelli não caiu no esquecimento - pois, segundo o relato de Freud, tratava-se de um nome que lhe era familiar -, segue-se então que o acesso a esse conteúdo de memória, foi perturbado, sofreu a interferência de algo, e essa perturbação explicará a ocorrência do lapso. Freud procura assim mostrar que o esquecimento do nome Signorelli não é explicável sem a interferência de determinadas influências <Einflüsse>. Na Psicopatologia, Freud afirma que "o esquecimento do nome só foi esclarecido quando me lembrei do assunto que estávamos a discutir imediatamente antes desta conversa (sobre os frescos do pintor Signorelli). O esquecimento revelou-se então como uma perturbação do novo tema, provocada pelo tema precedente."

Mas o que é que Freud contou e o que é que reprimiu, escondeu ao seu companheiro de viagem que poderá explicar o lapso de memória? Em primeiro lugar, Freud começou por mencionar o que ouvira de um colega médico sobre os costumes dos turcos da Bósnia e da Herzegovina, em particular, o facto de estes confiarem plenamente no médico, tratando-o com particular respeito. Freud mencionou ainda o modo como os turcos se resignavam perante o destino e a morte. Por exemplo, face a uma notícia desagradável dirigem-se ao seu médico dizendo: "Senhor [Herr], o que hei-de dizer? Se fosse possível salvá-lo, sei que o senhor o teria salvo." Mas Freud lembrava-se igualmente de uma outra particularidade dos turcos, mas não a contou, reprimiu-a; tratava-se da importância que os turcos atribuíam ao gozo sexual. Ao contrário do que sucede com a morte, os turcos desesperavam perante qualquer distúrbio sexual. Em contrapartida, a este respeito, exclamavam: "Tu sabes Senhor [Herr] se isto já não funciona, então a vida já não tem qualquer valor". Freud acrescenta ainda o seguinte detalhe: "também desviei a minha atenção da continuação dos pensamentos que poderiam ter-me surgido a partir do tema morte e sexualidade." Mas há um outro motivo que interveio no esquecimento de Signorelli e sobredeterminou, por sua vez, o aparecimento de um dos nomes substitutos (Boltraffio): "naquela ocasião, eu ainda estava sob a influência de uma notícia que me chegara algumas semanas antes, durante uma breve estada em Trafoi. Um paciente a quem eu me havia dedicado muito pusera fim à sua vida por causa de um distúrbio sexual incurável".

A conclusão de Freud é portanto a seguinte: "A influência que tornara inacessível à rememoração o nome Signorelli ou, como costumo dizer, que o recalcou, só pode partir daquela história reprimida acerca da apreciação do valor da morte e do gozo sexual." Na Psicopatologia, diz-nos, em alternativa, que "é verdade que não queria esquecer o nome do artista de Orvieto, mas sim outra coisa - essa outra coisa, contudo, conseguiu situar-se numa conexão associativa com o seu nome, tanto que o meu acto de vontade errou o alvo e esqueci uma coisa contra a minha vontade, quando queria esquecer intencionalmente a outra."

Por outras palavras, estes temas sonegados por Freud em conversa com o seu companheiro de viagem, em particular, a sua relação com pensamentos recalcados <verdrängte Gedanken>, são os verdadeiros responsáveis pelo esquecimento do nome Signorelli. Foram estes temas, estes pensamentos que afluiram e estiveram na origem da interferência da lembrança do nome do pintor italiano. Pelo facto de Freud procurar barrar o caminho a esses pensamentos, acabou por esquecer o que não queria, o nome Signorelli. A partir desta ideia, Freud acrescenta que: "a função da memória <Funktion des Gedächnisses>, que nós gostamos de imaginar como um arquivo aberto a todos aqueles que são ávidos do saber, está assim sujeita a ser deteriorada por uma tendência da vontade <unterliegt so der Beeinträchtigung durch eine Willenstendenz>, tal como acontece com qualquer parte da nossa actividade dirigida para o exterior". Deste modo, entre a memória e a consciência abre-se todo um campo de "influências" <Einflüsse> que perturbam a normalidade psíquica. Por sua vez, como Freud o mostrará mais tarde, a causa dessas influências deve ser procurada naquilo que ele designa de "pensamentos recalcados <verdrängte Gedanken>". Mais quais foram os trilhos seguidos pelas referidas influências? e qual a sua natureza?

II.2. As vias <Wege> que conduziram à substituição <Ersetzung> de Signorelli pelos nomes Botticelli e Boltraffio.

Se o nome Signorelli se tornou inacessível <unzugänglich> devido à interferência de algo que Freud quis efectivamente esquecer, reprimir <verdrängen>, importa agora determinar as vias <Wege> que permitiram não só o esquecimento de Signorelli, como também a sua substituição por Botticelli e Boltraffio. Freud procura agora comprovar a sua conclusão através das vias que conduziram às representações intermédias que tinham servido para fazer a conexão dos dois temas: morte e gozo sexual. A sugestão de Freud é de que as vias seguidas são as próprias palavras, os seus fragmentos: "era desde logo provável que a conexão se tivesse processado entre nomes <die Verknüpfung zwischen Namen und Namen>." Numa nota ao texto de 1898, Freud afirma que "o tema reprimido tende, por todos os meios, estabelecer a ligação com o tema não reprimido, não desdenhando sequer a via da associação exterior. Trata-se de uma situação compulsiva, semelhante àquela de fazer rimas." Na Psicopatologia, diz que a "conexão de nomes […] [produz-se] sem qualquer consideração pelo sentido ou pelos limites acústicos das sílabas"; ou, "os nomes foram tratados como pictogramas". Freud vê deste modo confirmada a importância da linguagem.

Por todas estas razões, o esquecimento de Signorelli esclarece-se do seguinte modo: "a tradução de Signor por Herr foi, por conseguinte, a via pela qual a história por mim reprimida arrastara atrás de si, para o recalcamento, o nome procurado." Freud, por esta altura, traduzia frequentemente do alemão para o italiano. "A descoberta do nome Signorelli revelou-se, pois, perturbada pelo tema [da sexualidade] que estava subjacente, onde ocorrem os nomes Bósnia e Herzegovina.

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Contudo, Freud não explora o tema subjacente à palavra Trafoi, assim como nem sequer considera relevante a sílaba elli, ainda que a sublinhe. De qualquer modo, a análise do fenómeno do lapso de memória chama a nossa atenção para um campo até aí não explorado: os trilhos linguísticos por onde agem as influências psíquicas. Diz-nos ele: "quando me esforçava por recuperar novamente o nome do pintor, por chamá-lo do recalcamento, a influência da ligação na qual entretanto caíra tinha de se fazer valer". Trata-se de uma 'influência' capaz de barrar os fenómenos psíquicos normais e dirigir o deslocamento e o encadeamento por vias substitutivas.

Freud não se limita a constatar e a descrever a realidade dessas "influências", vai mais longe, levanta a hipótese de a causa do distúrbio se ficar a deve a uma certa instância psíquica <eine gewisse Psychische Instanz> que mantém um conteúdo longe da tomada de consciência <vom Bewusstwerden fernhält>." Sobre o caso Signorelli, Freud obviamente não fala dos seus pensamentos recalcados, isso diz respeito à sua "auto-investigação".

Em conclusão, o ensaio de Freud sublinha que o fenómeno da falha de memória está em íntima ligação com "vias de pensamento" <Gedankengängen> que se encontram em nós recalcadas, essas vias são os trilhos da linguagem ("conexão de nomes"). Termino dizendo que o texto de Freud de 1898 acaba por caracterizar, através da exemplificação de um conjunto de influências que se jogam abaixo da consciência e que seguem as vias da linguagem, aquilo que será posteriormente o campo da psicanálise e que se distingue do campo da neurologia e da própria psicologia tradicional.

Quanto ao enigma do inventor da psicanálise, deixo aqui à consideração dos leitores a tese de Freud de que o esquecimento do nome Signorelli "está em ligação íntima com vias de pensamento que se encontram [nele] recalcadas", as quais passam forçosamente pelo tema subjacente a Trafoi e pelo silêncio (esquecimento) da sílaba terminal elli que Freud sublinha no esquema da sua autoria. Por outro lado, Freud deixou ainda por explorar a relação do nome esquecido Signorelli com o seu nome próprio Sigmund. Aliás, o primeiro nome de Freud, que é uma criação sua, celebra o triunfo da boca, da fala (Sieg-triunfo/Mund-boca). Quis a ironia do destino que a boca, o seu cancro na boca, acabasse, em 23 de Setembro de 1939, por triunfar sobre ele.

 

* Sobre o mecanismo psíquico do esquecimento in: Esquecimento e Fantasma. Lisboa, Assírio & Alvim, 1991.